quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A minha goiabeira

Raros cliente-leitores, sirvo hoje um prato do estreante, neste humilde restaurante, Pedro Bandeira. Sirvam-se do pratododia, e repitam se desejarem. Confira também, no menu à esquerda, outros gourmets que já passaram por aqui.


A MINHA GOIABEIRA
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No jardim da minha casa
mora uma grande amiga.
É uma velha goiabeira,
Linda, grande e muito antiga.
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“Isso é manacá-da-serra!”
minha mãe disse para mim,
e eu bem sei que goiabeira
não se planta no jardim.
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Mas eu gosto de goiaba,
manacá nunca comi
Pois pra mim é goiabeira,
minha amiga e companheira,
e eu não quero discutir.
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“Manacá é uma flor,
não é uma fruta de comer.”
Me explicaram outro dia,
e eu não quis nem responder,
pois eu pego uma goiaba
que a mamãe comprou na feira,
vou correndo pro jardim
procurar a goiabeira,
pra deitar na sua sombra
e fingir que foi dali,
de um galho dos mais altos,
que a goiaba eu colhi.
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Quando a tarde é de calor,
subo lá na goiabeira,
e, pensando pensamentos,
passo o tempo e a tarde inteira.
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Ela é uma grande amiga,
me dá sombra e cheira bem.
acho até que ela sorri
E conhece a mim também.
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Veio um homem outro dia
minha amiga examinar.
Disse que ela tinha bicho
e não ia mais sarar.
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“Essa árvore é bem velha,
não tem cura na verdade.
Eu vou ter de derrubar,
pois tem bicho em quantidade.”
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A tristeza não tem hora,
a tristeza não se atrasa:
vão cortar a goiabeira
do jardim da minha casa.
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Que será que ela tem
que com a vida dela acaba?
Ou pegou bicho-de-pé
ou tem bicho de goiaba...

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