quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

como tudo começou...


ele que nos uniu...não cobro a presença de vocês, afinal, estamos longe, temos nossas lutas diárias em busca de um futuro quase sempre incerto...mas sinto falta dos "velhos tempos"...menino quasídomo e yuri, obrigada por ter feito parte da vida de vocês, seja por um instante...





* FERNANDO ANITELLI *



Fernando Anitelli , 34 anos, ator, músico e compositor, é o responsável pela criação do projeto "O Teatro Mágico". Nascido em Presidente Prudente e criado na cidade de Osasco, São Paulo, Anitelli "brinca" com arranjos e melodias desde os 13 anos, "Quando vi que rimar amor com humor funcionava, não só na estética e na melodia, mas no sentido que aquilo tinha pra mim, nunca mais parei de fazer música".

"O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente"
Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverteenchendo a minha alma d'aquilo que
outrora eu deixei de acreditar
tua palavra, tua históriatua verdade fazendo escola
e tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
metade de mim agora é assim
de um lado a poesia, o verbo, a saudadedo outro a luta,
a força e a coragem pra chegar no fim
e o fim é belo, incerto, depende de como você vêo novo,
o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você

*


Eu acho que
Tenho certeza daquilo que eu quero agora
Daquilo que mando embora,
Daquilo que me demora
Eu acho que
Tenho certeza daquilo que me conforma
Daquilo que quero entender
E não acomodar com o que incomoda
Não acomodar com o que incomoda
E quando eu vou
É quando eu acho que
Onde é que eu tô
É pouco e tanto faz
Seja o que for,
Seja o que surge e some
Seja o que consome mais
Seja o que consome mas
Faz
E a historia que
Nem passou por nós
Direito ainda,
Pr'onde é que foi?



domingo, 21 de setembro de 2008

MENINO

especialmente pro nosso menino quasímodo! volte logo! saudade de vc por aqui...
...........................

tantas coisas acontecem =}

tão poucas valem acontecer

tão mínimas as que posso tocar

nenhuma as que me aceitam como seu possuidor

possuidor...

posso-me ir?

dor?


(heitor)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Poema nº1

Hoje, um fato inédito. Um prato feito por mim mesmo, na minha primeira aventura na cozinha de versos. Espero que gostem.

***
Poderia escrever o poema mais triste
O mais melancólico
Tirar lágrimas do leitor que,
Numa noite ainda mais triste
Aventura-se a ler um triste poema
E encontrar sua própria vida
Sua própria maldição
Estampada em versos
Cruelmente
.
Poderia escrever de como
O vento balança lindamente
as copas das árvores
as flores solitárias
o vestido de uma menina
as cortinas do meu quarto
solitário.
.
Poderia escrever da insensibilidade
dos grilos cantando, alegremente
dos jovens sorrindo, inocentes
dos carros passando, veementes
da vida passando, do tempo correndo
lentamente
.
Escrever da lua, pálida, cálida
derramando sua luz prateada
Da ausência de nuvens
num céu negro como nunca
Das estrelas cintilando
contrastando com a noite
como as lágrimas de um rosto
escorrendo.
.
Poderia derramar no papel
tudo o que sinto
o que me aperta
e assim, satisfazer um pouco mais
a sede de poesia daquele leitor
melancólico
Mas não vou, por Deus não vou
admitir minhas lágrimas
publicar minhas dores
expor meu coração
Incrementar com palavras
as dores desse mundo cada vez mais
desiludido
.
Prefiro, apesar de toda a dor,
falar da beleza que ainda perdura
na vida, no tempo, nos sorrisos
dos infantes, velhos, do céu
dos pássaros, das flores,
de tudo o que colore os dias
e nos faz, mesmo que por um momento
anestesiar nossa própria dor.
Prefiro.
.
Mas não hoje.
***

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A minha goiabeira

Raros cliente-leitores, sirvo hoje um prato do estreante, neste humilde restaurante, Pedro Bandeira. Sirvam-se do pratododia, e repitam se desejarem. Confira também, no menu à esquerda, outros gourmets que já passaram por aqui.


A MINHA GOIABEIRA
.
No jardim da minha casa
mora uma grande amiga.
É uma velha goiabeira,
Linda, grande e muito antiga.
.
“Isso é manacá-da-serra!”
minha mãe disse para mim,
e eu bem sei que goiabeira
não se planta no jardim.
.
Mas eu gosto de goiaba,
manacá nunca comi
Pois pra mim é goiabeira,
minha amiga e companheira,
e eu não quero discutir.
.
“Manacá é uma flor,
não é uma fruta de comer.”
Me explicaram outro dia,
e eu não quis nem responder,
pois eu pego uma goiaba
que a mamãe comprou na feira,
vou correndo pro jardim
procurar a goiabeira,
pra deitar na sua sombra
e fingir que foi dali,
de um galho dos mais altos,
que a goiaba eu colhi.
.
Quando a tarde é de calor,
subo lá na goiabeira,
e, pensando pensamentos,
passo o tempo e a tarde inteira.
.
Ela é uma grande amiga,
me dá sombra e cheira bem.
acho até que ela sorri
E conhece a mim também.
.
Veio um homem outro dia
minha amiga examinar.
Disse que ela tinha bicho
e não ia mais sarar.
.
“Essa árvore é bem velha,
não tem cura na verdade.
Eu vou ter de derrubar,
pois tem bicho em quantidade.”
.
A tristeza não tem hora,
a tristeza não se atrasa:
vão cortar a goiabeira
do jardim da minha casa.
.
Que será que ela tem
que com a vida dela acaba?
Ou pegou bicho-de-pé
ou tem bicho de goiaba...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Biblioteca Verde - Drummond

Biblioteca Verde

Papai, me compra a Biblioteca Internacional
de Obras Célebres
São só 24 volumes encadernados
em percalina verde.
Meu filho, é livro demais para uma criança-
Compra assim mesmo, pai, eu cresço logo.
Quando crescer eu compro. Agora não.
Papai, me compra agora. É em percalina verde,
só 24 volumes. Compra, compra, compra.
Fica quieto, menino, eu vou comprar.

Rio de Janeiro? Aqui é o Coronel.
Me mande urgente sua Biblioteca
bem acondicionada, não quero defeito.
Se vier com arranhão recuso, já sabe:
quero devolução de meu dinheiro.
Está bem, Coronel, ordens são ordens.
Segue a Biblioteca pelo trem-de-ferro,
fino caixote de alumínio e pinho.
Termina o ramal, o burro de carga
vai levando tamanho universo.

Chega cheirando a papel novo, mata
de pinheiros toda verde. Sou
o mais rico menino destas redondezas.
(Orgulho, não: inveja de mim mesmo.)
Ninguém mais aqui possui a colecção
das Obras Célebres. Tenho de ler tudo.
Antes de ler, que bom passar a mão
no som da percalina, esse cristal
de fluída transparência: verde, verde.
Amanhã começo a ler. Agora não.

Agora quero ver figuras. Todas.
Templo de Tebas, Osíris, Medusa,
Apolo nu, Vénus nua... Nossa
Senhora, tem disso tudo nos livros?
Depressa, as letras. Careço ler tudo.
A mãe se queixa. Não dorme este menino.

O irmão reclama: apaga a luz, cretino!
Espermacete cai na cama, queima
a perna, o sono. Olha que eu tomo e rasgo
essa Biblioteca antes que peque fogo
na casa. Vai dormir, menino, antes que eu perca
a paciência e te dê uma sova. Dorme,
filhinho meu, tão fraquinho.

Mas leio. Em filosofias
tropeço e caio, cavalgo de novo
meu verde livro, em cavalarias
me perco, medievo; em contos, poemas
me vejo viver. Como te devoro,
verde pastagem. Ou antes carruagem
de fugir de mim e me trazer de volta
à casa a qualquer hora num fechar
de páginas?

Tudo o que sei é ela que me ensina.
O que saberei, o que não saberei nunca,
está na Biblioteca em verde murmúrio
de flauta-percalina eternamente.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

enchantagem

Como o próprio mestre-cuca se qualifica: bóia fria do texto, trovador apaixonado, cançonetista, apanhador de arrepios, acrobata. Sirvam-se de um prato de Paulo Leminski!

enchantagem
de tanto não fazer nada
acabo de ser culpado de tudo
esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima
de tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser um verbo sem sujeito
pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito
que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar
tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade
o pau na vida
o vinagre
vinho suave
pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Teus olhos - Florbela Espanca

Há um bom tempo queria servir alguma coisa dessa poetisa superfamosa, mas estava esperando a hora certa. Chegou a hora! Sirvam-se à vontade e voltem sempre!

***
TEUS OLHOS
Florbela Espanca
Olhos do meu Amor! Infantes loiros
Que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.
Neles ficaram meus palácios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meus oiros
Que trouxe d'Além-Mundos ignorados!
Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas...
Enigmáticas campas medievais...
Jardins de Espanha... catedrais eternas...
Berço vindo do Céu à minha porta...
Ó meu leito de núpcias irreais!...
Meu sumptuoso túmulo de morta!...
***

Florbela Espanca, nascida Flor Bela Lobo, (Vila Viçosa, 8 de dezembro de 1894 — Matosinhos, 8 de dezembro de 1930) foi uma poetisa portuguesa, precursora do movimento feminista em seu país, teve uma vida tumultuada, inquieta, transformando seus sofrimentos íntimos em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização e feminilidade.
Após o diagnóstico de um edema pulmonar, suicida-se no dia do seu aniversário, 8 de Dezembro de 1930. Charneca em Flor viria a ser publicado em janeiro de 1931.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Canção do Dia de Sempre

Mario Quintana dispensa apresentações, não? Então, saboreiem essa canção!

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...

A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos

Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,

Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos

Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:

Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,

Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança

Das outras vezes perdidas,

Atiro a rosa do sonho

Nas tuas mãos distraídas...

sábado, 14 de junho de 2008

Corações...

Ahammmm!!! Acharam que este blog estava abandonado??? Não não! Apenas impossibilidade dos garçons temporariamente. Sr Yuri e Menino Quasímodo estão atarefados em suas faculdades, e como titia já passou por isso há muito tempo, sei que não é nada fácil essa tal de faculdade que os e.t.s inventaram...mas vamos lá!
Aqui já teve alguns dos pratos mais importantes da literatura brasileira, mas hoje reservo esse espaço para um ser muito importante em minha vida. Ele pode não ser tão apreciado como os outros pratos, mas é regional, diria um prato típicamente caiçara!
César Ribeiro França! Com toda certeza não sou muito confiável em falar sobre este homem, porque sou completamente apaixonada (calma pessoas, titia continua solteira, não se esqueçam! 9731...), viciada nesta pessoa. Nascido em São Paulo, no dia 7 de novembro de 1982, este técnico em gerenciamento de redes (ele é chique!), escreve coisas lindas, verdadeiras, sentimento puro! Não sou (perdoe-me clientes leitores, mas escreverei algo de baixo calão) corinthiana (ecaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!) mas sou louca por esse rapaz! Espero que todos apreciem o cardápio de hoje. Em breve outros pratos regionais! Beijos e bom apetite!
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Eu vou ser feliz

Eu vou ser feliz, vou passar os dias da minha vida sem importar se no futuro alguém vai estar do meu lado segurando o meu filho, eu vou viver intensamente, sempre...
Eu vou viver e buscar o que é melhor para mim, vou fazer da minha vida o melhor do que já se viu e ouviu.
Eu não sou o oceano, mas tenho um coração maior, que ao invés de água, possui amor, amor que bate por alguém...
Alguém especial!
Que não tem fé neste sentimento e se vira para vida com medo de chorar, mas no futuro pode chorar de verdade por não ter vivido.
Eu vou viver sem medo de chorar, vou viver sem medo de errar, vou viver e fazer o sol brilhar nos dias de chuva, vou viver e empurrar as nuvens com minha vontade de vencer.
Ontem um anjo me disse que eu sou a pessoa mais maravilhosa do que eu achava que era.
Eu amo minha vida!


domingo, 18 de maio de 2008

Solidão...

POIS É CAROS CLIENTES-LEITORES, HOJE ESTOU ME SENTINDO SÓ, ABANDONADA, TRAIDA, LARGADA, ENTREGUE AS BARATAS...E PARA ELEVAR MINHA SOLIDÃO AINDA MAIS, SELECIONEIS DOIS POEMAS SOBRE O TEMA. TENHAM UMA ÓTIMA SEMANA!

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Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades...

(Luis Vaz de Camões)
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" Solidão "

Um frio enorme esta minha alma corta,
e eu me encolho em mim mesmo:
a solidão anda lá fora,
e o vento à minha porta passa
arrastando as folhas pelo chão...

Nesta noite de inverno fria e morta,
em meio ao neblinar da cerração,
o silêncio, que o espírito conforta,
exaspera a minha alma de aflição...
As horas vão passando em abandono,
e entre os frios lençóis
onde me deitoem vão tento conciliar o sono

A cama é fria...
O quarto úmido e triste...
Há uma noite de inverno no meu peito,
desde o instante cruel em que partiste...

(Poema de JG de Araujo Jorge, extraído do livro"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"Vol. I - 1a edição 1965)